Quarta-feira, 21 Fevereiro 2007

Lisboa à escala 1/5

A sugestão de que Portimão possa ser uma Lisboa em ponto pequeno não deixa de ser curiosa. Disse-o outra pessoa que assim como eu deixou Lisboa de armas e bagagens à cerca de um ano, mas que tem ainda a vantagem de ter feito o mesmo quando de Peniche foi estudar para Lisboa. Eu que nasci em Lisboa, não desenvolvi talvez a distância necessária para chegar a essa conclusão, mas não deixei de concordar.

Assim como em Lisboa, um das maneiras de chegar a Portimão é atravessando um rio (em Portimão o rio Arade) e ter a cidade ali paredes-meias com a água salobra, naquele encontro do oceano atlântico de cheiro a mediterrânico com o pequeno rio. As duas têm uma luz muito parecida, muito bonita nos dias de sol e nos espelhos de água. Portimão tem, e partilha-o com a generalidade das cidades algarvias, o espectro cosmopolita de Lisboa, nos turistas, nos emigrantes, no individualismo, e coincidência ou não, no último referendo,o distrito de Faro foi o distrito com o resultado eleitoral mais próximo do de Lisboa.

Não pára por aí. Portimão também têm a sua "Almada". Se há quem, em Lisboa, aprecie ir tomar uma refeição à margem sul, para depois um pouco narcisicamente apreciar Lisboa tão bonita, e "olha, dá para ver o castelo, e o Terreiro do Paço, e o Cemitério dos Prazeres, e....", aqui também não se faz por menos, é só passar a ponte, deliciar-se com um peixinho grelhado em Ferragudo, e ver Portimão da outra margem, debruçada sobre o rio com ares de grande cidade!

Escrito por Sara Arrobe em 09:35:18 | Link permanente | Comments (0) |

Sexta-feira, 16 Fevereiro 2007

é preciso eu ir aí?

Então Carmona Rodrigues, que é isso! Vê lá como é que tratas a minha cidade? (aqui no blog é tudo por tu...) Ainda por cima também sou Rodrigues de apelido, e não gosto de vê-lo nas bocas do mundo pelas más razões. Está bem, já sei, podes não ter sido tu, foram os outros à socapa, mas como é que vais sair dessa?

ainda não te dei, Lisboa, os parabéns? dou-te agora, porque mesmo para lá destas trapalhadas da Epul e da Bragaparques foste considerada a capital mais segura da Europa, e isso menina-das-sete-saias, não é para todas!

Escrito por Sara Arrobe em 17:44:16 | Link permanente | Comments (1) |

Quinta-feira, 15 Fevereiro 2007

o teu esfenóide tem boas ideias?

nestes últimos anos, sempre que vou a uma consulta médica, deparo-me com a opinião generalizada da parte dos médicos (ainda mais expressiva quanto mais velhos são) de que ser arquitecto é uma profissão muito interessante , apesar de, para eles, na maioria das vezes, Souto Moura ser apenas o antigo procurador geral da répública...Alguns metem a segunda, e dizem que gostavam de ter sido arquitectos. Acho que os médicos em geral têm um certo fascínio por profissões artísticas, e a arquitectura lá está no meio de outras. Ainda no outro dia, fui ao dentista, e assim foi, no fim, o comentário "se voltasse atrás escolhia arquitectura", e eu, logo de imediato, respondi-he que trocava de bom grado com ele!

Esta mania de ter resposta pronta, é ás vezes irritante. Porque depois lá para o final do dia, pensei melhor e cheguei à conclusão que não, que não trocaria. Mas se calhar ainda bem que lhe disse, talvez o dentista tenha ficado mais animado, encolheu os ombros e setenciou qualquer coisa como "os portugueses são mesmo assim, lá diz o ditado: a galinha da vizinha é sempre melhor que a minha".

Por um lado gostava de ter sido médica , por outro lado muita coisa gostava eu de ter sido!  Orgulho-me, no entanto, da minha passagem breve pelo curso de medicina, de saber não só o que é o esfenóide, como onde ele se situa, e a forma retorcida que tem. Confesso que já não saberia descrever os orifícios que este osso do crâneo contém, mas lembro-me que são muitos!

esfenóide
 

Escrito por Sara Arrobe em 12:33:22 | Link permanente | Comments (0) |

Domingo, 04 Fevereiro 2007

pipocas e cigarros...

Devo dizer que  em Portimão chegam poucos filmes, a ainda menos aquando da estreia. Para compensar, no Guia Shopping, há algumas boas estreias. Mas como sei que os dois cinemas são do mesmo grupo, ou seja Castello Lopes, aguardo que os filmes cheguem a Portimão, porque muitas vezes acontece eles virem cá parar depois de algumas semanas na Guia. Ás vezes essa expectactiva faz com que perca alguns filmes que nunca chegam cá. Não foi o caso do "Diamante de Sangue", de Edward Zwick, que estreou directinho em Portimão. Levada mais pelo bom auguro da participação de Eduardo Serra na fotografia, e da nomeação recente de Di Caprio para melhor actor, e não tanto pelo último filme do realizador "O Último Samurai", lá fui. Devo dizer que gostei de filme, gostei da prestação de Di Caprio e da Jenniffer Connely, mas continuam-me a irritar alguns tiques deste realizador. Quando soube que também o filme "As Lendas de Paixão" era dele, então fez-se luz: há um certo tom pasteloso na maneira de contar a história, que se torna ainda mais evidente no fim. O fim é um arrasto de justiça e sentimentalismo, centrado no "herói" da fita, que traduz, na melhor das hipóteses, um carinho grande às personagens, quase como se não quisesse largá-las. Na pior das hióteses é fazer render o peixe.

O "Diamante de Sangue" é um filme violento. Veêm-se personagens a morrer, como quem come uma pipoca. Verdade, verdadinha! Na sala de cinema a que eu fui, intercalava-se o som de um tiro de pistola, com o "crashar" da pipoca. À medida que no filme alguns iam ficando sem pernas, ou esvaindo-se em sangue, as pipocas iam-se devorando. Não sou completamente anti-pipocas, apesar de achar que o barulho e o cheiro não são compatíveis com uma sala de espectáculos clássica. Mas pronto, vá lá, há filmes e filmes. Uma comédia ligeira ou tresmalhada, um filme de terror (eu nunca vi nenhum, mas suponho que seja um bálsamo para os nervos), ainda vá lá, mas filmes com uma história claramente de consciência social,  já me faz mais comichão. Concordando com a proibição de fumar em espaços públicos, porque não limitar o consumo de pipocas, às comédias do Ben Stiller? "Olhe queria pipocas! E o senhor das pipocas "Para que sala é que vai? Para a sala 3. Para esse filme está vedada a venda de pipocas. Porque é que não vai antes ver o filme da sala 2? Olhe que é giro!|

Escrito por Sara Arrobe em 13:37:11 | Link permanente | Comments (1) |

Sexta-feira, 02 Fevereiro 2007

lar, doce lar

um blog como uma casa! olhando para trás, nunca me imaginava a morar noutro sítio que não Lisboa. Viajar sim, claro, mas mesmo isso era por vezes o pretexto para regressar. desde que estou cá por Portimão, sinto-me muito menos presa a um sítio, e sim percebo melhor a frase nos azulejos da estação de metro da cidade universitária "...sou um cidadão do mundo". Fernando Pessoa devia saber isso muito melhor do que eu, quem nasceu noutro continente como o africano deve-se rir destas voltinhas na A2 e via do infante, coisa pouca na imensidão de Moçambique, suponho.

acho piada no entanto, que dos lisboetas  a viver em terras algarvias que entretanto conheci, parecem todos unânimes na melhoria da qualidade de vida que adveio da mudança. Eu confesso desconfio um pouco dessa unanimidade. Claro que há os argumentos de peso, como o fim das filas de trânsito, e do stress do pára-arranca, o clima, o ritmo de vida mais calmo. Mas falta a oferta cultural, os bairros palpitantes, a identificação pacífica com a capital do país. Se bem que Lisboa tem a graça dos contrastes no alfacinha cosmopilita!

O meu argumento de peso a favor da melhor qualidade de vida no Algarve (se bem, que o Algarve não é todo igual), é muito mais prosaico: desde que aqui resido, faz agora um ano, nunca mais me constipei. Tenho que explicar que era para mim uma rotina anual constipar-me por ano pelo menos umas quatro vezes...aquelas constipaçoes chatas de quatro dias de caixãoà cova, com muita ranhoca à mistura. Por isso quando acho que me estou prestes a arrepender da minha decisão de morar (eu digo sempre que é temporário) no Algarve, lembro-me disto e animo-meCool

Escrito por Sara Arrobe em 10:09:54 | Link permanente | Comments (0) |

Quinta-feira, 01 Fevereiro 2007

a César o que é de César

quero referir desde já que a fotografia belíssima da chávena do café que serviu de base à imagem deste blog, não é da minha autoria. Tenho que ver se encontro o rasto da autora (penso que era duma fotógrafa), porque já tenho esta imagem há algum tempo no meu arquivo. porventura será uma imagem temporária por aqui, mas gosto muito dela, e se entretanto encontrar, navegando pela internet, o nome da fotógrafa, aqui o divulgarei.

Obtive esta imagem, numa das várias pesquisas imagens de chávenas de café (tento coleccioná-las na realidade,

 às vezes partem-se). Há uma outra também, que gosto muito, que pelo que me lembro pertence a uma capa dum disco vynil, dum grupo chamado arlequim...será isto, ou a memória esta a atraiçoar-me?

Escrito por Sara Arrobe em 21:28:37 | Link permanente | Comments (0) |

E pronto não resisto, admito desde já que sou uma cinéfila compulsiva

então se era para chamar a este blog A2, porque não o chamei? razão óbiva, já havia um. Depois pensei nouto nome,: como tenho usado e abusado do nickname saraband, não só por admirar a obra que conheço de Ingmar Bergman, e nomeadamente este seu (supostamente) derradeiro filme, mas porque nele encontro (a sério que encontro!não foi logo à primeira e foi difícil, pois) as letras do meu nome. Depois irritou-me um pouco essa ideia, não queria ser mais um blog com nome do filme.

Gosto muito do blog www.abarrigadeumarquitecto.blogspot.com  cujo nome não é mais nem menos que um nome dum filme de Peter Greenaway, como aliás é explicado no dito blog, e depois outro blog www.ladoubleviedeveronique.blogspot.com que neste caso deve o seu nome ao filme de Krzysztof  Kieslowsky, que me é mais próximo pela realização da magnífica triologia Azul, Branco e Vermelho, ou seja as três cores da bandeira franceira, que remetem directamente para os três ideais da revolução francesa: liberdade, igualdade e fraternidade. Como gostei que me lembrassem disto na altura.

Quando é que eu chego aos dias do meio, nome eleito? fiz batota, tirei um trunfo já gasto da cartola, ou seja e vai mais uma confissão: escrevi um livro, ele está a ver se cresce sozinho no meio do pó, porque eu tenho a ligeira impressão que ele pode ser chato. mas de qualquer maneira a labuta para escolher-lhe o título (passou pelo menos quatro títulos diferentes) valeu-me agora de arquivo. Duma das gavetinhas, saíu este título....

Escrito por Sara Arrobe em 18:00:28 | Link permanente | Comments (0) |

razões deste blog

eu queria mesmo chamá-lo A2, porque era neste caso um termo homónimo para definir duas realidades diferentes: primeira, a minha profissão de arquitecta, tão familiarizada com os formatos standard das folhas A2, A1, A0 (sim, parece redutor, eu sei...) e a auto-estrada A2, que liga sobre rodas a minha Lisboa de sempre ao meu Algarve de então. Explicando melhor, como é que uma alfacinha de gema vai parar às terras da alfarroba, da amêndoa e do peixinho fresco? este era para ser o tema do blog...mas depois abri as comportas, e explodi o tema para qualquer coisa como o interstício entre a realidade e o sonho, uma constante interação, por vezes inoperante, por vezes, espero, construtora de novos caminhos.

Escrito por Sara Arrobe em 14:56:33 | Link permanente | Comments (0) |

1,2,3 experiência

aqui vai...e nem a propósito, a questão numero 1, o que nasceu primeiro o ovo ou a galinha? e neste caso, o blog ou o que é escrito nos posts?hummm

tlim!tlim! um brinde de champanhe (não é espumante é mesmo champanhe!) para comemorar este início.

Escrito por Sara Arrobe em 14:43:49 | Link permanente | Comments (0) |