a testemunha
Há dias a cirandar pela televisão, numa das estaçoes conhecidas pelos seus intermináveis intervalos múltilplos durante um só filme, assisti a uma cena que me andou a martelar desde então. Talvez até não fosse nada de especial, era uma cena em que a personagem encarnada pela actriz Susan Saradon, falava com um detective particular que tinha contratado para averiguar a hipotética infedilidade do marido. Ela pergunta-lhe se ele sabe porque é que as pessoas se casam? E ele diz, como se encolhesse os ombros: Por paixão?, ela faz que não com a cabeça. O detective particular comenta, não sem uma ponta de desilusão(?), que a tinha tomado por romântica, afinal enganava-se. Ela vai mais longe, e arrasta-se na descrição da vontade que une duas pessoas que partilham um casamento por tantos anos ou pela vida fora. É a percepção de que no fundo não somos especiais para o mundo ( ou por outras palavras, se morrermos hoje, o mundo continua como se nada fosse. E isto é válido também para as ditas figuras públicas, apesar da ilusão do contrário. talvez a vida deles tenha feito a diferença, mas a morte fará diferença? É essa percepção crua, que nos leva a querer partilhar os mais pequenos nadas, como se enagalfinados nesses momentos trivias que são também doutros, e que são de ambos, e que também são dele, a ruptura se dissolva. como se um fosse a testumunha do outro.
E essa ideia da Testemunha, para lá de toda a imagética jurídico-burocrático-dúbia, não deixa de ser incrivelmente romântica.
www.olhares.com de Marcio Murio Pilot

hos", e ninguém quer ser pobrezinho, claro...Está para chegar o dia, em que dizer que "isso é coisa de habitação social", é um grande elogio, ou então será que ser pobre é ser-se inevitavelmente moderno? Ou por outras palavras mesmo que a habitação social venha a estar de uma forma consistente na vanguarda da arquitectura irá ela libertar-se enquanto imagem, enquanto materialidade, enquanto soluções, enquanto estereótipo?